Não precisamos ser aceitos

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Não precisamos ser aceitos. Sobre a vida, skate e olimpíadas.

Comparado com a média sempre fui um cara “baixinho”. De todos os meus amigos fui o primeiro contemplado com fios brancos no cabelo. Há um bom tempo muito mais brancos que pretos, imagine J. Mascis ou Andy Warhol. Ouvi muitas brincadeiras por conta destas duas peculiaridades. De fato, nunca liguei muito para as piadas, mas nem todos são assim e sofrem um bocado com as perseguições para se encaixarem no padrão médio.

Dos mais gordinhos, orelhudos, peludos aos dentuços, todos deram um jeito e de alguma forma se enquadraram, ou por que realmente não se sentiam bem com o que viam ou por não se sentirem bem com o que ouviam.

Para muitos é difícil gostar da própria natureza, condenam e são condenados apenas por serem como são. Instinto humano de ataque e defesa mesmo estando do mesmo lado.  Afinal de contas estamos o tempo todo sendo bombardeados por padrões estéticos e comportamentais. Você tem que ser assim! Agir assim! Falar assim! Ser bem-sucedido! Ter um carro! Casar, ter filhos…

Padrões, prisões, tudo montado como um quebra cabeça que se encaixa até chegar na forma perfeita para ser aceito. Like another brick in the wall. O tempo me ensinou inúmeras lições, e uma eu aprendi para nunca esquecer. Não precisamos ser aceitos! Sempre, sempre irão existir pessoas que generalizam ou criticam o estilo de vida e o comportamento dos outros porque não conseguem conceber que cada um de nós tem e deve ter a sua individualidade preservada. Ao mesmo tempo, sempre, sempre irá existir ao menos uma pessoa que vai te querer exatamente, milimetricamente como você é. E isso já será o suficiente para você sorrir.

Não considero o skate um esporte, para mim é muito mais e muito maior que isso, apesar de ter algumas regras e competições que determinam os campeões por pontuação ou simplesmente por ordem de chegada. De duas coisas eu tenho certeza. O skate não tem dono e apesar de todas as mudanças que possam acontecer ele sempre estará presente nas ruas.

Talvez por ter nascido e continuar nas ruas “destruindo” corrimãos, bancos, escadas ou simplesmente fazendo barulho no asfalto é que ele sempre terá alguém para odiá-lo. Alguém que não vai querer tê-lo por perto. A verdade é que sempre vamos perturbar alguém. Fato é, não temos limite, não cabemos em uma pista, piscina, quadra… estamos presentes em qualquer parte da arquitetura urbana.

Podem colocá-lo nas olimpíadas com uniformes representando países e medalhas no peito, podem os “narradores” chama-lo de esporte olímpico daqui em diante, podem dizer aonde podemos, como podemos andar e nos comportar. Podem dizer, você agora é um atleta, é exemplo, o que vão pensar e dizer vendo você agir assim? Ainda assim vamos continuar produzindo meninos e meninas capazes de subir uma escada recém construída com um ollie ou descer uma ladeira riscando o asfalto novinho com slides ruidosos entre o caos do trânsito.

Desistam, não vai colar, o skate não vai mudar porque agora tem um status de esporte olímpico. Para cada um de nós o skate tem um significado, uma importância. Para muitos com as olimpíadas chegamos no auge, para outros será apenas parte de uma grande tentativa de aumentar o público e a arrecadação dos jogos. Enquanto um lado quer conquistar medalhas o outro quer dar risadas.

Vamos deixar que cada um se posicione, que cada um tenha uma opinião diferente, o mais importante é saber que não precisamos, não dependemos e nem pedimos para estarmos aqui ou ali. Estamos em todo lugar ou como diz a letra: “Não sou de nenhum lugar, sou de lugar nenhum… Eu não tô nem aí, eu não tô nem aqui”.

Como já disse aqui e em outras oportunidades, o skate não é seu, o skate não é meu, ele não tem dono, ele é livre! E apesar de não concordar que o skate seja uma competição, respeito a opinião contrária. Sei que enquanto ele conseguir produzir seres humanos apaixonados e dedicados a levar este amor para cada minuto do seu dia, ele será eternamente capaz de provocar sensações e sonhos muito maiores que uma pontuação ou uma medalha.

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